ECEME: conheça a Escola do Método

ECEME: conheça a Escola do Método

“É fácil a missão de comandar homens livres; basta mostrar-lhes o caminho do dever.”

Marechal Osório

A partir do século XIX, o Exército Brasileiro percebeu a necessidade de elevar o nível profissional da tropa, com o objetivo de preparar assessores de alto nível para a Força. Foi neste contexto que surgiu a Escola de Estado-Maior (EEM), oficializada por meio do Decreto nº 5.698, em outubro de 1905.

Naquele momento, a EEM foi a sexta instituição de ensino do gênero no continente americano. Anteriormente, apenas os exércitos da Bolívia, Estados Unidos, Chile, Argentina e Peru possuíam uma escola direcionada aos altos estudos militares.

Nas palavras do General Paulo César de Castro, presentes no prefácio do livro ECEME – A Escola do Método: há 100 anos pensando o Exército, a escola tem por objetivo formar o chefe militar “atualizado, capaz de pensar o Exército, inserido nos contextos internacional e nacional, pronto a apresentar a solução atualizada para o problema militar brasileiro, com vistas a atender plena e exclusivamente aos interesses nacionais do País”.

Por fim, o estabelecimento passou a ser chamado definitivamente de Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME) apenas em 1955, na quinta e atual sede da escola, situada na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro.

Curso de Comando e Estado-Maior (CCEM)

Diferente da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO), onde os oficiais devem cursar para que possam chegar aos postos de oficial superior, a entrada na ECEME não é obrigatória. Aqueles que queiram estudar na instituição devem ser aprovados por meio de um concurso de admissão, no qual cerca de 130 vagas são abertas anualmente.

No concurso de admissão, são avaliados o embasamento intelectual e cultural do candidato, elementos essenciais ao futuro comandante e assessor de alto nível. Vale ressaltar que aproximadamente 30% do efetivo de uma turma oriunda da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) chega à ECEME.

O Curso de Comando e Estado-Maior (CCEM) concede ao oficial o título de pós-graduação. Entre as atividades que compõem a grade curricular do curso, destacam-se as diversas dinâmicas de grupo, estudo de idiomas – fundamental para o chefe militar -, assuntos internacionais, geopolítica, projetos interdisciplinares e produção de monografias.

Além da formação do chefe militar em si, a pesquisa e os altos estudos possuem um papel fundamental para a atualização e evolução da doutrina militar brasileira.

Mais do que pensar o Exército, o militar, ao sair da ECEME, deve pensar e compreender o Brasil, apto para analisar conjunturas nacionais e internacionais. Por esta razão, conhecimentos de história, geografia e geopolítica, assim como perfil de liderança, são essenciais para que o oficial tenha um pensamento estratégico e capacidade de resolver problemas com objetividade e clareza.

Relato pessoal: a missão dos 50 dias

Quando comecei a fotografar a ECEME, em outubro deste ano, quis aproveitar ao máximo tudo que estava acontecendo. Estava há três semanas em missão, fotografando a AMAN, quando tive a chance de conhecer a escola que forma os chefes militares do Exército Brasileiro. O que era para durar, no máximo, um mês, se estendeu para quase dois meses.

Foram 50 dias ininterruptos fotografando a força terrestre para que o projeto Laços de Honra continuasse a existir e pudesse ser concluído. Foram 50 dias longe de casa, sem saber exatamente o que iria acontecer no dia seguinte. Mas, com muita fé na missão e com a ajuda de pessoas que acreditaram no meu projeto, pude documentar e, por fim, escrever todas as reportagens que estão disponíveis neste blog.

É válido ressaltar, para aqueles que ainda não sabem, que o projeto Laços de Honra – O outro lado do Exército tem sido feito de forma independente durante cinco anos. E cinco anos não são cinco dias.

Em 2020, esse projeto será lançado em forma de livro.

Eu gostaria de agradecer a todos os comandantes, oficiais, praças e civis que estiveram comigo ao longo desta jornada. Nem sempre o caminho é claro em uma primeira perspectiva. O mais importante, contudo, é continuar caminhando, com a certeza de que a verdade e a honra sempre prevalecerão na vida daqueles que lutam por um ideal.


A Escola de Comando e Estado-Maior do Exército

Sede atual da ECEME, localizada na Praia Vermelha, ao lado do Pão de Açúcar, um dos principais pontos turísticos do Rio de Janeiro.
Salão de Honra
Grêmio dos alunos

A rotina

As provas de longa duração

Fim do expediente

Integração: as três forças unidas por um ideal

Exército, Marinha e Força Aérea

O encerramento

Oficiais de Nações Amigas

Desde 1920, por influência da Missão Militar Francesa, a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército tem recebido oficiais instrutores de nações amigas.

Laços de Honra – O outro lado do Exército é um projeto fotográfico que retrata a formação do oficial combatente do Exército Brasileiro. A série fotográfica contempla quatro escolas da linha de ensino militar bélico: a Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx), a Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO) e a Escola de Comando e Estado Maior do Exército (ECEME).

 

11 comentários

  1. Mauro CONSENTINO disse:

    Excelente artigo. Cumprimento,efusivamente,a brilhante Autora.

  2. Francisco Augusto Pereira Neto disse:

    Parabéns à autora, pelo brilhante trabalho, pela arte, pelo cotidiano filtrado.
    De fato, a verdade e a honra são os alicerces que nos levam ao ideal de uma Nação soberana e mais justa.
    Somos Soldados para sempre, somos Brasil!

    • @paulamariane disse:

      Obrigada pelas palavras, Francisco! Espero que continue acompanhando o meu trabalho por aqui. O projeto “Laços de Honra – O outro lado do Exército” será publicado, em 2020, em forma de livro. Este será o produto final do projeto, no qual eu documento o itinerário formativo do oficial combatente do Exército. Abraço!

  3. Richard Fernandez Nunes disse:

    Parabéns pela qualidade do projeto. A Escola do Método, que pensa o Exército e o Brasil, precisa ser ainda mais conhecida.

  4. Carlos Roberto Pauloni disse:

    Texto muito bem escrito, Paula! Parabéns pelo brilhante trabalho. Desejo a você muito sucesso. Você merece, pelo forma dedicada, obstinada e competente com que encara esse projeto.
    Grande abraço!

  5. Josely Gladzik disse:

    Texto muito bem escrito e ditos muito reais. Parabéns pelo belíssimo trabalho. Estou ansiosa pelo livro.

  6. Gustavo disse:

    Parabéns pela sua iniciativa!
    Aguardamos o lançamento do livro que coroa o projeto Laços de Honra!
    Continue sua caminhada, fotografando cada momento como se a maquina que porta fosse um espelho da alma.
    Feliz 2020!

  7. Bruno Santos disse:

    Interessante a jornada que se propôs a fazer com o intuito de trazer um pouco de conhecimento sobre essa instituição tão importante para a soberania de nosso país.

    Sucesso!

  8. Robson Gabri disse:

    Parabéns a todos esses bravos militares. Orgulho do nosso Brasil!

  9. Eliezer disse:

    Parabéns pelo trabalho!!
    Quando este livro estará disponível para aquisição??
    🇧🇷

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