A trajetória na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO)

A trajetória na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO)

“A nação te confia o fundamento do futuro dos nossos capitães.”

Trecho da Canção da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais

Após a formação na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), os militares seguem para a unidade que escolheram. A trajetória na tropa se inicia, assim como um longo caminho pela frente. Contudo, os estudos não se encerram, necessariamente, na Academia.

Para que os oficiais assumam novas funções – com maiores responsabilidades – e possam ter acesso aos postos de oficial superior, é necessário que os mesmos passem por um aperfeiçoamento. Assim, dez anos após a formação na AMAN, os militares retornam para a sala de aula, agora como capitães.

Esta etapa acontece na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO) – também conhecida como a “Casa do Capitão” – instituição de ensino que habilita o oficial a atuar no exercício de chefia das unidades e das funções de Estado-Maior.

Por meio do Decreto Federal de nº 13.451, a EsAO foi criada em 1919 pelo General Alberto Cardoso de Aguiar, na época Ministro da Guerra. Neste contexto, ele ainda fez parte do processo de reorganização do ensino militar brasileiro, estabelecendo as bases que concretizaram essa nova fase.

A Missão Militar Francesa

Ao estudarmos a história da EsAO, é necessário mencionarmos a Missão Militar Francesa (MMF), que foi fundamental para o desenvolvimento da Escola. Contratada pelo governo brasileiro em 1919, a missão chefiada pelo General Maurice Gamelin auxiliou no processo de modernização do Exército Brasileiro. O adido militar brasileiro na França, Coronel Alfredo Malan d’Angrogne, e o Ministro de Guerra francês, Georges Clemenceau, foram os responsáveis pelas negociações da missão.

A necessidade de reestruturação das tropas brasileiras foi uma das razões que fizeram com que o Exército Brasileiro buscasse a modernização e uma metodologia mais eficaz para o emprego da força, bem como melhorias na qualidade de ensino das instituições militares. Sob esta perspectiva, a doutrina militar francesa foi escolhida para esse processo de padronização, adequando-se à realidade da força terrestre e, posteriormente, servindo de base para a criação de uma doutrina militar brasileira.

Apesar da Missão Militar Francesa ter ocorrido no Rio de Janeiro, na época capital do país, as transformações que ocorreram nesse período tiveram alcance e impacto nacional. Em 2019, a missão completou seu centenário.

O Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais (CAO)

O Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais (CAO) tem duração de dois anos e é dividido em duas etapas: o primeiro ano é feito na modalidade à distância e o segundo ano, por sua fez, acontece presencialmente na Escola. Logo, entende-se que a EsAO é um local de reencontro: a turma, que se separou ao longo dos últimos dez anos, se reúne nessa instituição, localizada na Vila Militar, no Rio de Janeiro.

Vale destacar a presença da família militar, constituída ao longo da trajetória dos oficiais, e que agora desempenham um papel fundamental em suas vidas. Uma vez que o militar é transferido de um local para outro, toda uma família precisa se adequar à nova realidade, encarando os novos desafios que estão por vir.

Relato pessoal

Apesar da readequação que os oficiais e as famílias precisam fazer diante de toda a mudança que isso envolve, o reencontro da turma é algo bonito de se ver. É fácil dizer que eles “voltam” a ser cadetes nesse período: as lembranças tomam conta das conversas, assim como as novidades, já que eles estiveram separados por uma década. A camaradagem e os laços criados lá atrás,durante a formação na AMAN, permanecem ao longo da vida. Provavelmente, essa será a última vez que todos eles estarão reunidos de fato.

Ao final do ano letivo, os capitães-alunos escolhem, por ordem de classificação, a organização militar que servirão no ano seguinte, assim como os cadetes escolhem no último ano da Academia Militar das Agulhas Negras. Um momento de muitas emoções e expectativas. Olhando as fotos, certamente você encontrará diversas semelhanças.


A Escola

Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO), localizada na Vila Militar, Rio de Janeiro.
Guarda Francesa: soldados usam uniforme semelhante aos utilizados na época da Missão Militar Francesa.

O ano letivo na EsAO

Aquilo que fica para sempre: a camaradagem.

A Escolha de OM

Comandante da EsAO, General Carlos Augusto Ramires Teixeira, prestigiando a escolha de unidade feita pelos capitães aperfeiçoados.

Enfim, aperfeiçoados

Família militar presente.

Agradecimentos especiais aos oficiais do Curso de Artilharia da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO), pelo grande apoio dado ao projeto durante esse ano letivo.


Laços de Honra – O outro lado do Exército é um projeto fotográfico que retrata a formação do oficial combatente do Exército Brasileiro. A série fotográfica contempla quatro escolas da linha de ensino militar bélico: a Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx), a Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO) e a Escola de Comando e Estado Maior do Exército (ECEME).

 

Um comentário

  1. Mauro CONSENTINO disse:

    Excelente, tanto quanto os outros trabalhos da mesma autora.

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