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Meus maiores aprendizados como fotojornalista no Exército Brasileiro

Neste mês, tive uma das experiências mais incríveis da minha vida: palestrei, durante 15 minutos, no TEDx Campinas, para um público de 800 pessoas! O maior público que eu já direcionei as minhas palavras até então. A palestra será divulgada no YouTube oficial do TED em breve, e assim que isso acontecer, divulgarei aqui pra vocês. O evento aconteceu no Teatro Castro Mendes, com uma equipe voluntária muito capacitada e cheia de força de vontade para fazer as coisas acontecerem. Na minha palestra, contei a minha trajetória no universo da fotografia, além da minha história dentro do Exército Brasileiro.

Agradeço todos que assistiram e participaram do evento, virtual ou pessoalmente. É uma alegria saber que a sua história também pode servir de inspiração para outras pessoas. Afinal, boas ideias merecem ser espalhadas.

Eu não me canso de contar essa história. Ainda, acredito que irei contá-las muitas e muitas vezes.
Talvez, contarei isso pelo resto da minha vida. Faz parte de mim, da minha missão neste mundo.

A cada dia, o projeto Laços de Honra – O outro lado do Exército tem alcançado mais pessoas. Civis, militares, homens, mulheres, pessoas de diversas regiões do Brasil e do mundo. Por esta razão, devo contar a maneira que eu comecei a fotografar o Exército Brasileiro. Além disso, escrever e relembrar tudo que eu vivenciei – e ainda vivencio – na força terrestre me faz lembrar do porquê de eu estar aqui até agora.

Quando eu comecei o projeto na Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx) em 2016, eu não imaginava as proporções que essa série fotográfica tomaria. De lá para cá, adquiri muita experiência: me formei na Universidade, fiz estágio, mudei de cidade, fiz intercâmbio, consegui um novo emprego. Às vezes, as coisas aconteciam tudo ao mesmo tempo, no entanto, eu sempre dava um jeito de conciliar o projeto. Afinal, quando uma missão é dada a você, é preciso cumprir, certo?

No começo, era só eu e um rascunho de ideias. O ano era 2015, eu estava cursando o primeiro ano da faculdade de Jornalismo da PUC-Campinas. Com apenas 18 anos, eu tinha acabado de sair da minha cidade natal, Votorantim, que tem aproximadamente 130 mil habitantes, para uma cidade onde moram mais de 1 milhão de pessoas. Naquela época, eu já tinha certeza de que eu seria fotojornalista.

Foi neste contexto que surgiu a oportunidade que mudaria a minha vida: um grupo de instrutores da
Escola de Comando e Estado Maior do Exército (ECEME) estava em Campinas para ministrar o Estágio de Correspondentes de Assuntos Militares (ECAM), um curso voltado para universitários interessados em conhecer o trabalho do Exército Brasileiro. A faculdade de Jornalismo nos enviou um e-mail falando sobre o curso, e logo me inscrevi. Achei a experiência incrível.

O estágio durou uma semana, mas as minhas indignações continuaram.

Por que eu, com 18 anos, não tinha conhecido o Exército antes? Por que eu, uma pessoa interessada em assuntos globais, resolução de conflitos e forças armadas, não conhecia o Exército do próprio país?

E me dei conta de que essa situação era mais comum do que eu imaginava. Muitas pessoas não sabiam.

Retomei o contato com um dos instrutores que havia ministrado o ECAM para entender como os oficiais combatentes se formavam. A partir disso, descobri o que era a Escola Preparatória e a Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN). Mais tarde, me dei conta de que os oficiais também deveriam passar pela Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO) e, caso fossem selecionados, na Escola de Comando e Estado Maior do Exército (ECEME).

Por que não registrar isso? Por que não criar uma nova forma de se comunicar com as pessoas? O Laços de Honra estava nascendo.

No ano seguinte, em 2016, decidi ir à EsPCEx para me apresentar. No dia 05 de Fevereiro, me apresentei pela primeira vez ao comandante da EsPCEx e ao Corpo de Alunos, na época Coronel Dutra – hoje, General Dutra, atual comandante da AMAN.

Uma chance era tudo que eu precisava. Por fim, o comandante da escola abraçou o meu projeto como se fosse dele, e de imagem em imagem, o projeto cresceu. Então, passei a acompanhar a turma que estava chegando na EsPCEx naquela época. Era a Turma 150 anos da Campanha da Tríplice Aliança. Como escrevi em outra reportagem sobre o projeto, “jovens, de todos os cantos do país, deixavam seus lares para ingressarem na linha de ensino militar bélico. Com o famoso uniforme ‘cotonete’ – composto por uma camiseta branca e calça jeans – os futuros militares chegavam na casa rosada. Logo, vestiram a primeira farda, receberam a boína, juraram à bandeira, ingressaram na Academia”. Eles também já escolheram os cursos, e no próximo ano estarão formados.

Logo, vocês perceberão que eu sempre falo “ah, mas a minha turma…”. É, de fato é a minha turma. Faço parte dela! Agora vocês sabem o motivo. O projeto nasceu com eles, a última turma exclusivamente composta por homens. Crescemos juntos, e continuaremos assim! Mais do que isso, tive a oportunidade de vivenciar, por meio do projeto, um momento histórico para a força terrestre: a entrada das mulheres na linha de ensino militar bélico no ano seguinte, em 2017.

Agora, quero compartilhar com vocês os maiores aprendizados que levo comigo, adquiridos a partir de toda essa experiência. Em seguida, vocês verão as fotos são do último Estágio de Vida na Selva e Técnicas Especiais, conduzido pela Seção de Instrução Especial (SIEsp), que aconteceu em outubro do ano passado.

Não preciso falar que é a minha turma neste ensaio, certo? Haha. Vamos ao que importa:

A importância de um ideal

Essa foi a primeira coisa que me chamou atenção: como pessoas, de todas as regiões do país, com culturas, hábitos e pensamentos diferentes, permaneciam unidas e trabalhavam juntas? Foi então que eu entendi o que significava, na prática, ter um ideal. Ter um objetivo em comum e olhar para a mesma direção, apesar de todas as diferenças, era o que fazia isso dar certo. Coisas grandiosas acontecem quando você enxerga além das suas próprias ambições e trabalha para uma causa maior.

Espírito de corpo

Todas as pessoas deveriam conhecer esse conceito. Arrisco a dizer também que todo mundo deveria passar por um “campo” (treinamento militar), pelo menos uma vez na vida.

Você até pode fazer o seu caminho sozinho. No entanto, sabe que chegará mais longe se trabalhar em equipe. Sabe que o caminho será mais aproveitado, que a missão será mais grandiosa, se uma equipe a fizer. Você reconhece suas habilidades e o que tem de melhor, e não precisa provar isso para ninguém.

Ainda, entende que se você der o seu melhor em uma tarefa, aliando-se com as habilidades do outro, o resultado será melhor. Compreende também que não se deve deixar ninguém para trás – e que o fato de ajudar outra pessoa não te diminuirá de forma alguma. Há diversas formas de definir o conceito “espírito de corpo”.

Uma hora você ajuda. Outra hora, é você quem precisa de uma mão. Nas dificuldades e desafios inerentes à rotina na caserna, você entende que todos nós fazemos parte de um ciclo. É preciso, portanto, respeitar cada etapa. Nada é permanente, a não ser o espírito de corpo. Isso devemos levar para a vida.

Transforme seu julgamento em curiosidade

Uma das perguntas frequentes que as pessoas me fazem é se eu fui julgada. Sim, fui julgada. Muitos duvidaram do meu propósito, mas eu tinha certeza e sabia o porquê de estar ali. Confiei e continuei. Mas, devo confessar: também já julguei. Como seres humanos, somos falhos, mas podemos aprender com os nossos erros para sermos pessoas melhores. Aprendi que devemos transformar nosso julgamento em curiosidade.

Você não sabe o que uma pessoa está fazendo, ou por que ela faz o que ela faz? Pergunte. Mas, antes de perguntar, esteja aberto para ouvir. Isso serve para todas as áreas de nossas vidas. É óbvio que não conseguiremos agradar a todos, contudo, devemos nos orientar em busca da verdade.

Como jornalista, o fato de transformar meus julgamentos em curiosidade fez com que eu mudasse minha perspectiva em muitas questões – e na minha profissão, estar aberta para descobrir novas perspectivas é essencial. Da mesma forma, tenho utilizado esse projeto para fazer um diálogo saudável entre civis e militares. Quanto mais me permito ouvir o próximo, mais as pessoas passam a escutar a minha mensagem e as minhas motivações também.

Nós somos os protagonistas das mudanças que queremos ver no mundo

A minha maior motivação para fazer um projeto fotográfico sobre a formação do oficial combatente do Exército Brasileiro foi o desconhecimento. Assim, posso dizer que a minha indignação em não conhecer, de fato, as Forças Armadas do meu país, foi o que me motivou a colocar isso em prática.

Há algo que te incomoda? O que você tem feito para mudar isso?

Procure entender como aquilo funciona e, por fim, proponha soluções. Esteja sempre aberto ao diálogo e não se abale caso você receba críticas. Como disse anteriormente, não é possível agradar a todos, mas é possível caminhar por um propósito maior. E com certeza isso trará bons frutos, onde quer que você esteja.

Você não precisa ser o melhor, mas deve fazer o melhor com o que você tem

Nunca tive a melhor câmera, mas fiz o meu melhor com a câmera que eu tinha. E isso basta. Você é o suficiente e você tem o suficiente sempre. Confie mais, e não se apegue nas possibilidades do “amanhã”. Talvez o amanhã não chegue. Use o que você tem de mais criativo e poderoso: o agora.

Eu não sei tudo sobre fotografia. Nunca vou saber, aliás. Mas o fato de ser uma eterna aprendiz faz com que a caminhada seja mais leve, suscetível a erros e acertos, com alegrias, desafios e muitas descobertas. Faça o seu melhor com aquilo que você tem. O mundo te agradece por isso.


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