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O primeiro ano na Academia Militar das Agulhas Negras

Onde tudo começou | Relatos da fotógrafa

05 de Fevereiro de 2016. Foram mais de 100km até chegar na Escola Preparatória de Cadetes do Exército. Esse foi o dia em que eu me apresentei pela primeira vez ao comandante da EsPCEx e ao Corpo de Alunos. Durante um bom tempo, eu pensava em fazer o meu primeiro projeto fotográfico de longa duração. A partir do Estágio de Correspondentes de Assuntos Militares (ECAM), promovido pela Escola de Comando e Estado Maior do Exército em 2015, descobri o que eu gostaria de documentar: a trajetória do oficial combatente do Exército Brasileiro.  A ideia era inédita e ninguém tinha feito um trabalho parecido. Era a hora de se arriscar.

O comandante da escola abraçou o meu projeto como se fosse dele, e de imagem em imagem, o projeto cresceu. Assim surgiu o Laços de Honra – O outro lado do Exército. Da EsPCEx, o projeto foi para a Academia Militar das Agulhas Negras. Dois anos do projeto já foram concluídos. No próximo ano, o passo será ainda maior: será a vez de conhecer a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO) e a Escola de Comando e Estado Maior do Exército (ECEME).

Junto com o projeto, uma turma também estava nascendo. Era a Turma 150 anos da Campanha da Tríplice Aliança. Assim que cheguei na EsPCEx, pude acompanhar o início do ano letivo. Jovens, de todos os cantos do país, deixavam seus lares para ingressarem na linha de ensino militar bélico. Com o famoso uniforme “cotonete” – composto por uma camiseta branca e calça jeans – os futuros militares chegavam na casa rosada. Logo, vestiram a primeira farda, receberam a boína, juraram à bandeira, ingressaram na Academia, receberam o espadim e agora escolherão as armas. Tudo passou muito rápido. Mais do que uma turma, eu ganhei uma família. Vi esses meninos crescerem e se tornarem homens.

O projeto inusitado despertou curiosidades e dúvidas, e eu vou respondê-las: não há militares na minha família e nunca tive contato com as Forças Armadas até realizar o ECAM, onde conheci a força terrestre. O tema, que sempre foi distante da minha realidade, hoje se desdobra através das minhas lentes e gera novos significados para mim e para todos aqueles que acompanham a evolução da série. A ideia foi minha, e voluntariamente, me dispus a acompanhar a formação do militar.

Além disso, a série tem suas peculiaridades: estou documentando a última turma de oficiais combatentes exclusivamente masculina. Vi pela última vez a EsPCEx e AMAN com turmas apenas compostas por homens. Durante esse ano, também acompanhei a entrada das primeiras mulheres na formação da linha bélica. Um período de grandes transformações, tanto individuais quanto coletivas.

Apesar da minha disposição, eu não cheguei aqui sozinha – o apoio de pessoas especiais tem sido o alicerce para que eu continue registrando essa trajetória. Muitos confiam e acreditam em mim. Sou profundamente grata a todas as pessoas que admiram e apoiam o meu trabalho. Neste período, eu descobri o verdadeiro significado de camaradagem.

Por outro lado, também conheci os desafios da vida. Comecei a entender que nem todas as pessoas vão gostar do que você faz, mas apenas você sabe da sua batalha individual e do quanto você se esforçou para chegar onde chegou. Muitos a favor, e alguns contra: o projeto continua existindo. Até agora, foram mais de 60 idas e vindas. Muitas madrugadas dentro do ônibus e muitas horas de viagem. Tudo por um ideal. 

Em 2017, chegou a vez da minha turma ingressar na AMAN. Em um ano difícil, mas gratificante, os cadetes da Turma 150 anos da Campanha Tríplice Aliança concluíram o Curso Básico, como é conhecido o primeiro ano na Academia. Conheça, agora, esse longo caminho através das minhas imagens:

Inaugurada em 1944,  a Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) é o único estabelecimento de ensino do Brasil que forma os oficiais combatentes do Exército Brasileiro. Longe das manifestações políticas da antiga capital do país, o Rio de Janeiro, a Academia foi construída na cidade de Resende, interior do estado. Por um curto período, o nome da instituição foi Escola Militar de Resende.
Mais do que uma escola, é na Academia que os cadetes constroem uma identidade e desenvolvem o sentimento de pertencimento ao Exército. Os valores e deveres militares – a exemplo do patriotismo, amor à profissão, espírito de corpo, respeito aos símbolos nacionais, lealdade, probidade, entre outros – são cultuados e preservados durante a formação do militar. Após a conclusão do curso, o cadete recebe o título de bacharel em Ciências Militares e é promovido a Aspirante a Oficial.
Ao se apresentarem na AMAN, os alunos oriundos da EsPCEx passam por uma rígida rotina de adaptação, que prevê atividades das 06h00 até as 22h00. Após a adaptação, eles recebem o título de Cadete – a rotina, por sua vez, continua apertada durante todo o ano letivo.
No dia 12 de fevereiro de 2017, os novos cadetes atravessaram os portões, simbolizando a entrada na Academia. Dessa forma, eles começavam o Curso Básico.

I. Curso Básico: aqui são forjados os líderes do futuro

“A primeira questão era sempre mostrar que cada cadete era capaz de vencer os óbices, por mais difíceis que parecem ser. A meu ver, a motivação é algo que deve nascer e prosperar internamente. Sendo assim, procurava apenas acender uma fagulha que os fizesse caminhar com os próprios passos.”

Tenente-Coronel Glauco Corbari Côrrea, comandante do Curso Básico

Se na Escola Preparatória os meninos compuseram uma única turma, na Academia eles eram os mais novos. A hierarquia e disciplina estão, em todos os momentos, intrínsecas em cada passo dos futuros combatentes. Desde a alvorada até o toque de recolher, todas as marchas, hinos e símbolos afirmam o compromisso que eles juraram cumprir. Durante a formação, há dias específicos em que eles podem sair para conhecer outros lugares da cidade e regras detalhadas que norteiam a postura do militar. No Pátio Tenente Moura, onde os cadetes entram em forma várias vezes durante o dia, há uma frase gravada que reforça o motivo de todos esses valores serem tão cultuados: “Cadete! Ides comandar, aprendei a obedecer”.

Em um momento de consolidação do caráter militar, a imagem do oficial instrutor é um espelho para o cadete.  O Capitão Sérgio Marcos da Silva Junior, comandante de pelotão do Curso Básico, formou-se em 2010 – seis anos depois, retornou ao mesmo lugar onde passou quatro anos como cadete. Para ele, servir na Academia foi a mais nobre das atividades que realizou durante a carreira. “Trabalhar na formação daqueles que irão nos substituir exige muita responsabilidade, comprometimento e dedicação”, afirma.

Além de ministrar instruções militares, o comandante de pelotão acompanha a rotina diária dos cadetes, passando pelas formaturas, treinamentos físicos, refeições, horas de estudo e demais atividades. O Capitão complementa, “sempre me empenhei ao máximo para tratar meus subordinados, seja na Academia ou em qualquer outro lugar, baseado em três princípios fundamentais: respeito, exemplo e justiça. De forma franca e leal, me esforcei para mostrar, com o máximo de veracidade, as realidades da vida profissional e até mesmo pessoal que eles irão enfrentar depois de formados”.

Para o comandante do Curso Básico, Tenente-Coronel Glauco Corbari Côrrea, comandar o curso responsável pelo primeiro ano da Academia é uma função pela qual ele sempre teve grande admiração. “É um dos cursos mais emblemáticos do Exército Brasileiro e que todos os Oficias combatentes de carreira – independente da arma, quadro ou serviço – têm que passar”, relata.

Na rotina extremamente rígida do Curso Básico, Corbari ressaltou que motivar os subordionados e estar ao lado de todas as atividades foi um fator decisivo. “A primeira questão era sempre mostrar que cada cadete era capaz de vencer os óbices, por mais difíceis que parecem ser. A meu ver, a motivação é algo que deve nascer e prosperar internamente. Sendo assim, procurava apenas acender uma fagulha que os fizesse caminhar com os próprios passos. Logicamente que a rotina e a pouca experiência dos cadetes do primeiro ano não os permitiam enxergar com nitidez esses fatores hoje, no entanto foram sementes lançadas e que estarão amadurecidas ao final do quarto ano da AMAN”, conta.

Durante o ano letivo do Curso Básico, os cadetes realizam quatro estágios práticos supervisionados, a exemplo das operações Boa Esperança, Henrique Laje, Monjolo e Fit. Na Seção de Instrução Especial, eles executam o Estágio Básico de Combatente de Montanha.

Cadete se preparando para executar a Operação Henrique Laje.
A Operação Henrique Laje começava com uma marcha de 8km. Era a hora de seguir em frente.
Chegada na Fazenda Boa Esperança, um dos locais onde a operação foi realizada.

Cadetes em forma durante a formatura realizada durante a Operação Henrique Laje.

A Fazenda Boa Esperança é o cenário de diversas atividades do Curso Básico. Na foto, os cadetes seguem para a base, após realizarem instruções de tiro.

II. As instrutoras do Curso Básico

“O Exército Brasileiro é formado por homens e mulheres que vestem a mesma farda e seguem os mesmos princípios éticos e profissionais. Não devemos distinguir a pessoa pelo sexo e sim pela capacidade profissional dela. O preço do pioneirismo é alto, mas é importante para o processo. Acredito que quando essas cadetes retornarem para AMAN como instrutora, o processo estará consolidado e nada mais será novidade.”

Tenente Isis Cristina Paes Petcov

Com a chegada das primeiras mulheres combatentes na Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx), a Academia também se preparou para recebê-las no próximo ano. A admissão de mulheres na linha de ensino militar bélico tornou-se possível desde a entrada em vigor da Lei n 12.705, de 08 de Agosto de 2012, que permitiu o ingresso em áreas que eram totalmente restritas aos homens. A partir disso, um projeto de inserção do sexo feminino foi elaborado e de modo voluntário, quatro oficiais chegaram à AMAN para se tornarem as primeiras instrutoras.

Instrutoras do Curso Básico durante o Estágio Básico do Combatente de Montanha. Na foto, da esquerda para direita: Capitão Jussara Bortolucci Franco, Tenente Laryssa Sampaio Silva, Tenente Josimara de Macedo Santos e Tenente Isis Cristina Paes Petcov.
Instrutora do Curso Básico, Tenente Josimara, executando atividade de rapel e escalada durante o Estágio Básico do Combatente de Montanha, organizado pela Seção de Instrução Especial (SIEsp).
Tenente Josimara e Tenente Isis na Operação Henrique Laje, uma das principais operações realizadas pelos cadetes do Curso Básico.
Tenente Isis

A paixão de Tenente Isis Cristina Paes Petcov pelo Exército Brasileiro nasceu na infância. “Meu pai servia na AMAN quando eu tinha 10 anos. Eu estava presente em todas as formaturas e sempre vibrei com o espírito militar”, relembra. Disposta a seguir a mesma carreira, não teve essa oportunidade inicialmente – naquela época, a entrada de mulheres na linha de ensino militar bélica não era permitida. Após concluir o ensino médio, Isis foi orientada a seguir na área de medicina ou odontologia para tentar uma vaga na Escola de Saúde do Exército (EsSEx). Optou por ser dentista.

Além da graduação, Isis teve que cursar uma especialidade, pois só assim seria apta para ingressar na carreira de saúde. “Fiz os 5 anos de faculdade e depois tive que fazer mais 2 anos de especialização, pois as vagas só abrem por especialidades. Quando estava apta a prestar o concurso, já com o título de Periodontista, verifiquei que somente abria uma vaga para todo no Brasil no concurso”, afirma. Depois de nove anos de estudo, a tenente conseguiu a vaga.

Apesar da realização pessoal na área de saúde, o sonho de ser combatente nunca morreu. Quando surgiu a oportunidade de ser instrutora das primeiras cadetes da AMAN – as quais ingressarão em 2018 – Isis logo se voluntariou. Durante esse ano, ela e mais três oficiais passaram por uma série de adaptações dentro da formação na Academia: acompanharam a rotina dos cadetes e realizaram atividades nas operações militares. “É como se eu pudesse cursar um pouco da AMAN. A adaptação ao trabalho e a rotina academia não foi muito difícil, pois estou fazendo algo que gosto muito”.

Era a primeira vez que a AMAN recebia as primeiras oficiais instrutoras. “O mais difícil foi o ambiente antes inteiramente masculino acostumar com a presença das quatro instrutoras do Curso Básico”, relembra Isis.

Ao longo do tempo, a relação com os cadetes também foi consolidada. “Acredito que o cadete aprendeu a nos enxergar como um tenente como qualquer outro e nos respeitam da mesma forma com se fosse um tenente homem”, afirma.

Questionada sobre os principais desafios que enfrentou durante a adaptação, ela afirma que as maiores dificuldades não foram físicas ou intelectuais. “Acredito que tenha sido o preconceito, exatamente por nunca ter existido uma mulher nessa função. Todos tiveram que se adaptar com essa nova realidade. Muita coisa mudou, mas existe também muita coisa para mudar”, conta.

Apesar das provações e desafios, a tenente pensa no futuro com muito otimismo. “O Exército Brasileiro é formado por homens e mulheres que vestem a mesma farda e seguem os mesmos princípios éticos e profissionais. Não devemos distinguir a pessoa pelo sexo e sim pela capacidade profissional dela. O preço do pioneirismo é alto, mas é importante para o processo. Acredito que quando essas cadetes retornarem para AMAN como instrutora, o processo estará consolidado e nada mais será novidade”, conclui.

Todas as missões devem ser cumpridas. Para Isis, o estágio de Montanha foi um divisor de águas. “Deixei meu filho, de menos de dois anos na época, com crise respiratória e fui me arriscar no Pico das Agulhas Negras. Fiquei sem notícias dele, pois não levamos celular, não sabia se ele tinha internado ou não. Além de viver esse embate o pessoal, superei todos os medos ao fazer as atividades de rapel e escaladas da mesma forma que o cadete do Curso Básico executa”, relata.

III. O Espadim

“Recebo o sabre de Caxias, como o próprio símbolo da Honra Militar.”

Considerada uma das datas mais significativas na carreira do oficial combatente, a Cerimônia do Espadim trata-se de uma conquista coletiva, onde os cadetes consolidam uma parte de sua formação no primeiro ano. Oficialmente cadetes da força terrestre, eles recebem uma réplica da espada do Duque de Caxias, o patrono do Exército Brasileiro. Dessa forma, o espadim representa o símbolo da honra militar. Para o Tenente-Coronel Glauco Corbari Côrrea, foi o momento mais marcante que vivenciou enquanto comandante do Curso Básico. “Vê-los perfilados no Pátio Tenente Moura, recebendo os espadins de suas madrinhas e padrinhos, nos encheu de orgulho, nos emocionou e nos fez acreditar que estávamos no caminho certo”, relata.

No dia 19 de agosto de 2017, os 463 cadetes da Turma 150 anos da Campanha da Tríplice Aliança reforçavam o seu compromisso com o Exército, recebendo a réplica da espada de Duque de Caxias.

IV. Os cadetes

“Os melhores laços de companheirismo que possuo hoje, é fruto da convivência nas atividades do Curso Básico.”

Cadete Alberto Koji Tanaka

Oriundos de todas as regiões do Brasil e de diferentes classes sociais, na Academia todos são iguais e ali eles permanecem diante de um único ideal. Os cadetes recebem um número e uma classificação de acordo com o mérito. Todos são tratados da mesma forma, passam pelas mesmas atividades e avaliações. As diferenças e interesses pessoais, por um momento, ficam em segundo plano para que os interesses coletivos prevaleçam. Os quartos são compartilhados nos quatro anos de formação na AMAN – não só os quartos, como também os planos, os sonhos e até mesmo as angústias e saudades da família.

Para alguns cadetes, foi na Escola Preparatória onde tiveram a primeira experiência de vida na caserna – para outros, a rotina militar já era mais familiar. O Cadete Alberto Koji Tanaka, antes de entrar para o Exército, serviu como soldado no Batalhão de Infantaria da Aeronáutica (BINFA-64), em São José dos Campos, interior do estado de São Paulo. Por uma questão de vocação, começou a estudar para ser oficial. “Mesmo diante das dificuldades da escala de serviço de um soldado, consegui passar nos exames de admissão da EsPCEx, onde surgiu um carinho muito grande pelo Exército. Tenho muito orgulho de ter servido a FAB também nos meus primeiros anos”, afirma.

O Cadete Vitor Chemim Viezzer se apromixou do Exército pelo dinamismo que a profissão proporciona. Em relação às suas expectativas profissionais, ele destaca o dever de defender a Pátria. “[Somos aqueles] que correm atrás dos problemas quando todo mundo está fugindo. No fim da vida quero saber que fiz algo importante, independente de ser conhecido por isso ou não”. Para o Cadete Humberto Câmara Abel, trabalhar para o bem coletivo tem sido sua principal motivação. “Nós, militares, trabalhamos visando o bem de outras pessoas, mesmo que isso ponha nossa própria vida em risco”, ressalta.

Ao serem questionados sobre o maior aprendizado que levarão desse ano, o Cadete José Tibúrcio Ribeiro Neto afirma, “Daiasaku Ikeda, um filósofo budista, uma vez disse que o propósito da vida não é ter uma lista de montanhas que escalou. É se tornar um excelente alpinista, pois assim será capaz de escalar todas as montanhas, mesmo as que não escolher. Acredito que esse é o maior aprendizado do Básico”. Para o primeiro colocado da turma, o Cadete Lucca Torres Rodrigues de Souza, o maior aprendizado foi conviver com as restrições e imposições. “Ano passado tínhamos aprendido a lidar com a falta de tempo para nós mesmos, mas na AMAN e no primeiro ano, principalmente, a gente aprende a lidar com muitas restrições que incomodam, seja sair fardado, ficar punido constantemente, correr no parque, pernoite na ala, que parecem ser pequenas, mas fazem muita diferença na forma como a gente leva a vida e se planeja”, conclui.

Após ultrapassarem esse período, os cadetes desenvolveram a confiança e criaram laços que nunca serão apagados. Os anos passarão, e mesmo após um longo tempo de carreira, todos eles se lembrarão do nome da turma e do próprio número. Apesar das dificuldades, é na convivência da caserna que as verdadeiras amizades se formam. “Família significa muito mais que um laço genético”, afirma o Cadete Viezzer. O Cadete Tanaka complementa, “os melhores laços de companheirismo que possuo hoje, é fruto da convivência nas atividades do curso básico”.

Do instante decisivo para a eternidade

“De todos os meios de expressão, a fotografia é o único que fixa para sempre o instante preciso e transitório. Nós, fotógrafos, lidamos com coisas que estão continuamente desaparecendo e, uma vez desaparecidas, não há mecanismo no mundo capaz de fazê-Ias voltar outra vez. Não podemos revelar ou copiar uma memória.”

Henri Cartier-Bresson

Do instante decisivo para a eternidade, as imagens abaixo, assim como todas as fotografias exibidas nesta reportagem, eternizaram os momentos vividos por mim e pelos meus irmãos, os cadetes da Turma 150 anos da Campanha da Tríplice Aliança. Obrigada por tudo.

“Grande parte da minha vida eu vivi no bairro Monte Castelo, vila militar de Resende, e constantemente via os cadetes passando em atividades de campanha e do dia a dia. Com isso, ainda pequeno me interessei pela carreira das armas, e incentivado pelo meu pai, aos 18 anos passei no concurso.

A rotina no primeiro ano da AMAN é intensa e durável. Ao longo do dia nos cadetes temos atividades que se iniciam às 05h50 e normalmente se encerram por volta das 19h30. Durante o curso básico, além de adquirir o conhecimento técnico profissional, que é de suma importância, eu aprendi a administrar corretamente o tempo, o que é extremamente necessário para os anos seguintes na Academia.

No futuro, eu pretendo ser um bom oficial e servir como exemplo para meus pares, além de entender as limitações e capacidades dos meus subordinados.”

Cadete Mayck Abraão Werneck dos Santos

Em uma breve despedida, o Capitão Sérgio deixa uma mensagem. “Que prossigam em suas carreiras com a mesma fé na missão e amor à Pátria que demonstraram durante o ano que passou e, principalmente, que cultuem eternamente os valores aprendidos no Curso Básico, pois são esses valores que, reverberados nos corpos de tropa, garantem ao secular Exército Brasileiro tamanha credibilidade e prestígio junto ao nosso país.”

Laços de Honra – O outro lado do Exército é um projeto fotográfico que retrata a formação do oficial combatente do Exército Brasileiro. A série fotográfica contempla as quatro escolas de formação militar: a Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx), a Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO) e a Escola de Comando e Estado Maior do Exército (ECEME).

Agradecimentos especiais ao Tenente-Coronel Washington Harryson Alcoforado, meu eterno instrutor e amigo, que conduziu com profissionalismo o ECAM e acreditou no meu projeto desde o início. 

33 thoughts on “O primeiro ano na Academia Militar das Agulhas Negras

  1. Excelente. Obrigado.
    Muitas saudades da s queridas escolas que me formaram como oficial de Exército Brasileiro.
    Brasil acima de tudo.

  2. Brilhante artigo espelha a vida do oficial estudante na sua formação como militar e cidadão absolutamente desconhecida da sociedade, que através de seus políticos corruptos e apátridas tenta desvirtuar.

  3. Sensacional este trabalho. Esse registro inédito se torna um arquivo riquíssimo de fatos, relatos e imagens sobre a formação do Oficial da linha militar bélico do nosso Exército. Parabéns pelo trabalho !

  4. Esse é certamente um dos trabalhos mais inspiradores e bem feitos que eu já vi em toda minha vida. A cada linha lida e foto vista a vontade de servir o meu país aumentava exponencialmente.
    Parabéns por essa obra incrível.

  5. Belíssimo trabalho.
    Texto irretocável, complementado por fotos fascinantes.
    Impossível não dar saudades.
    Parabéns a todos os colaboradores do projeto.

  6. É muito importante para um brasileiro poder demonstrar patriotismo e essa turma 150 anos da Triplice aliança tem feito isso brilhantemente. Parabéns pelo trabaho.

  7. Excelente ver o retrato do início de uma vida dedicada a servir ao Brasil. Parabéns. Vibrante ver nossa juventude fazendo pelo nosso amado país.

  8. Sensacional! Suas palavras e fotos me fizeram lembrar de momentos vividos em 1989, quando era um desses Cadetes ingressando na majestosa AMAN. Quase 30 anos depois, vejo com emoção imagens similares às vividas já que seguimos os mesmos valores, ontem, hoje e sempre: Brasil Acima de Tudo!

  9. Quando criei o ECAM, e o apliquei de 2005 a 2007, na ECEME, esperava que desse frutos como este. É com imensa alegria que vejo seu trabalho. Parabéns!

  10. Parabéns pelo excelente trabalho – informações corretas, as perspectivas de instrutores e cadetes, belas fotos e, principalmente, muita emoção e vibração pelo Brasil. Agulhas Negras!

  11. Parabéns pelo trabalho, profissionais como você, que valorizam os conceitos éticos e morais nos fazem acreditar no futuro do Brasil. Aos meus amigos de farda verde oliva – SELVA!

  12. Recentemente nossa Turma 1987 esteve na Academia Militar para comemorar os 30 anos de formação. Foram momentos de pura emoção reencontrar os irmãos de todas as Armas, Quadro e Serviço num momento tão especial junto aos nossos familiares. Esse espetacular documentário nos traz a certeza de que o Exército Brasileiro é uma Instituição que honra as cores de nossa Bandeira e reforça o Sentimento de patriotismo nos filhos dessa Terra Mãe e Gentil. Parabéns e obrigado!

  13. Parabéns pelo excelente trabalho que retratou as atividades do Curso Básico tão importantes para a formação do Oficial do EB

  14. Parabéns a todos que contribuíram para a publicação deste vibrante trabalho sobre os primeiros passos na formação do oficial de carreira do nosso glorioso Exército! Obrigado pela emoção ao reviver minha passagem pela AMAN (1966 a 1969)! Certamente, esta bela matéria poderá motivar muitos jovens a enfrentar estes desafios e mostrar que neste País ainda existem pessoas mais focadas nos valores maiores da sociedade.

  15. Parabéns por trabalho magnífico realizado por vc.
    Relata bem o que é comprometimento com nossa nação. Tive a honra de vestir essa farda verde oliva e fazer parte da infantaria do exército brasileiro.

  16. Belíssimo trabalho, retrato fiel e emocionante de duas grandes paixões que ainda nutro em meu já não tão jovem (63), mas sempre vibrante coração. A Fotografia (Bloco Editores 72-74) e Exército Brasileiro Aluno CPOR-RJ 76, Esp Os 25° B Por 77 e 2° Tem Mat Bel Bel Dep Mun Paracambi RJ 77 a 80).
    Reitero meus parabéns pelo espetacular trabalho realizado.

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